Sorrisos da Capoeira
E se, em vez de adaptar a criança ao consultório, aproximássemos o consultório do mundo que ela já conhece?
O Sorrisos da Capoeira começou com uma ideia simples: levar a comunidade para dentro do Baobá Odontologia.
Em vez de retirar as crianças do ambiente onde já existiam vínculo, segurança e pertencimento e levá-las diretamente para uma experiência clínica desconhecida, começamos a reproduzir dentro do Baobá elementos da rotina que elas já viviam na comunidade.
A capoeira entrou no consultório. O samba entrou no consultório. O berimbau, o violão e a voz da Dani também entraram.
As músicas são aquelas que as crianças já conhecem e cantam juntas. O ambiente procura manter referências familiares. E outras crianças permanecem próximas durante parte da experiência, observando, cantando, participando e apoiando quem está sendo atendido.
Assim, o contato com a odontologia acontece dentro de uma atmosfera que não é completamente estranha à criança. Aos poucos, instrumentos, sons, procedimentos e a própria cadeira odontológica passam a fazer parte de uma experiência que começou muito antes daquele atendimento individual.
Foi dessa prática que surgiu uma nova pergunta: o que acontece quando o condicionamento odontológico deixa de ser apenas individual e passa a acontecer também de forma coletiva, mediado pela cultura, pela musicalidade, pelos pares e pelo território?
Hoje, o Ecossistema Baobá começa a sistematizar essa experiência como campo de pesquisa, buscando compreender seus processos, seus efeitos e a possibilidade de construir, a partir dela, uma metodologia de condicionamento odontológico coletivo.
Talvez preparar uma criança para o cuidado não seja apenas ensiná-la a entrar no consultório. Talvez seja também permitir que ela leve um pouco do seu mundo para dentro dele.



































